
Torceu, inchou, doeu. Passaram três semanas, a dor sumiu e a pessoa voltou a jogar. Alguns meses depois, torceu de novo. E de novo. Até virar aquele tornozelo que todo mundo tem um amigo que tem.
A entorse é a lesão mais comum do esporte e também a que mais se repete. Isso não é azar, é consequência de como ela costuma ser tratada. Neste texto você vai entender o que fica para trás quando a gente espera só a dor passar.
Por que a entorse se repete tanto
Quando o tornozelo torce, além do ligamento sofrer, é danificada também uma rede de sensores que fica dentro da articulação e nos músculos ao redor. São esses sensores que informam ao cérebro, o tempo todo, em que posição o pé está.
Com essa informação prejudicada, o corpo demora alguns milésimos a mais para reagir quando o pé pisa torto. No esporte, alguns milésimos são a diferença entre corrigir e torcer.
A dor passa em semanas. Esse sistema de resposta, se ninguém treinar, pode ficar alterado por muito mais tempo.
Gelo eterno e repouso até parar de doer
Gelo ajuda no controle da dor nos primeiros dias e ninguém precisa abrir mão disso. O problema é transformar gelo em tratamento e passar semanas nessa rotina esperando que o resto se resolva sozinho.
Repouso total tem o mesmo problema. Alguns dias de proteção fazem sentido, mas depois disso o tecido precisa de carga controlada para se reorganizar. Articulação parada perde amplitude, músculo parado perde força, e os dois voltam a receber a mesma demanda de antes.
O caminho do meio é o que funciona: proteger no começo, carregar de forma progressiva depois.

O que precisa voltar antes do retorno
São três coisas. Amplitude, principalmente o movimento de levar o joelho à frente com o pé apoiado no chão. Força de panturrilha e de todo o conjunto ao redor do tornozelo. E equilíbrio em apoio de uma perna só, com e sem superfície instável.
Um teste simples dá uma pista: fique em pé apenas sobre a perna lesionada e compare com o outro lado. Se a diferença for evidente, ainda falta trabalho, mesmo que não doa nada.
Ausência de dor não é sinônimo de tornozelo pronto. São coisas diferentes, e é justamente essa confusão que gera a próxima entorse.
Quando procurar um fisioterapeuta
Vale procurar já na primeira entorse, e não só quando ela vira hábito. Uma reabilitação bem-feita da primeira reduz bastante a chance da segunda.
Algumas situações pedem avaliação médica antes da fisioterapia: impossibilidade de apoiar o pé no chão, deformidade visível, dor intensa sobre o osso, estalo seguido de inchaço imediato ou perda de sensibilidade no pé. Nesses casos o médico avalia primeiro, inclusive para descartar fratura.
Este texto é informativo e não substitui uma avaliação individual. Só um profissional pode avaliar o seu caso.
Converse com um fisioterapeuta
Voltar ao esporte é fácil, qualquer um volta quando a dor passa. O trabalho é voltar e não torcer de novo, e isso depende de recuperar aquilo que não aparece no exame nem incomoda no dia a dia.
Na Clínica Movere o atendimento é conduzido por Rafael Menezes, fisioterapeuta com inscrição ativa no CREFITO-5 e pós-graduação em Fisioterapia Traumato-Ortopédica. Conheça a página de fisioterapia esportiva e agende a sua avaliação pelo WhatsApp. Atendimento individual em Porto Alegre, no bairro Petrópolis.

